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12 Dec

Funcionárias de hospital negam que tenham trocado bebês em Trindade

Apesar da declaração delas, a polícia acredita que os recém-nascidos estavam com as pulseiras certas, mas foram vestidos com as roupas um do outro após o banho e colocados ao lado das mães trocadas.

Funcionárias de hospital prestam depoimento à  Polícia Civil sobre troca de bebês em Trindade — Foto: Vanessa Martins/G1
Funcionárias de hospital prestam depoimento à Polícia Civil sobre troca de bebês em Trindade — Foto: Vanessa Martins/G1

As três funcionárias Hospital de Urgências de Trindade (Hutrin) que foram ouvidas pela Polícia Civil nesta quarta-feira (31) negaram que tenham cometido qualquer erro que possa ter ocasionado a troca dos bebês. Elas também afirmaram, em depoimento, que não acreditam que o hospital tenha culpa no caso porque a equipe segue um sistema padrão para assegurar que problemas como esse não ocorram.

Foram ouvidas uma enfermeira, que é chefe do centro cirúrgico, uma técnica em enfermagem que também trabalha no centro cirúrgico, e a técnica em enfermagem responsável pelo berçário. Segundo a delegada Renata Vieira, elas estavam trabalhando no dia 9 de julho, quando os bebês nasceram.

“Não esclarecemos muita coisa porque elas não acreditam no erro de nenhuma profissional. A responsável pelo berçário, por exemplo, disse que pega um bebê por vez, confere a pulseirinha e a identificação do bercinho com o pediatra e afirmou que não teria como ter ocorrido erro no hospital”, disse.

A delegada disse que não acredita na versão das funcionárias. “É lamentável porque elas também estão muito abaladas com tudo isso. Mas cheguei a dizer para elas que, na minha opinião, tenha acontecido um erro procedimento do berçário”, contou.

Os depoimentos das três funcionárias estavam previstos para terça-feira (30), mas foram adiados após pedido da direção do Hutrin, por dificuldade para liberá-las. As funcionárias estão acompanhadas de uma advogada, de um representante do Hutrin e de um integrante do Instituto Cem, responsável por gerir o hospital.

A reportagem tentou contato com o grupo, mas ninguém quis se pronunciar sobre o caso, desde as 10h20, um posicionamento com a defesa do Cem e do Hutrin, mas as mensagens e ligações não foram atendidas.

Genésio Vieira e Pauliana Maciel estão hospedados na casa de Aline Alves e Murillo Lobo, que podem estar com o bebê trocado — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Genésio Vieira e Pauliana Maciel estão hospedados na casa de Aline Alves e Murillo Lobo, que podem estar com o bebê trocado — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Conforme a delegada, o próprio hospital informou que também faz uma investigação interna, ainda sem resultado. “Ontem, ao falar com responsável pela sindicância aberta, ele disse que nas apurações internas ainda não sabem o que de fato aconteceu”, disse.

Como a troca dos bebês teria ocorrido

  • Os bebês nasceram no dia 9 de julho no Hutrin;
  • As investigações apontam que os partos dos dois ocorreram entre 15h20 e 15h40;
  • As duas mães foram encaminhadas para a mesma enfermaria;
  • Os bebês foram levados para o primeiro banho, quando, provavelmente, houve um erro e a roupa de um foi vestida no outro;
  • Até então as pulseiras de identificação, com o nome das mães, estavam corretas e apenas as roupas trocadas;
  • Os bebês teriam sido colocados por uma funcionária da maternidade em berços ao lado das mães invertidas;
  • As duas pulseiras de identificação se soltaram. Uma caiu no chão e então uma das avós percebeu que o nome escrito na pulseira não era o da filha;
  • Segundo delegada, uma funcionária explicou às famílias que as pulseiras poderiam ter sidos trocadas na hora do banho, mas que os bebês estavam com as mães certas.

Descoberta da troca

Após a alta hospitalar, as mães levaram os bebês trocados para casa. Aline de Fátima Bueno Alves retornou para Santa Bárbara de Goiás, a 27 Km da maternidade de Trindade, onde mora com o marido Murillo Praxedes Lobo.

Já Pauliana Maciel Aguiar de Sousa foi para casa em Trindade, onde reside com o marido Genésio Vieira de Souza. Segundo o advogado deles, Aloar Mendanha, os dias se passaram e o casal percebeu que o bebê não se parecia com eles e começou a desconfiar que algo de errado poderia ter acontecido.

“Os pais são morenos e a criança é bem branca, branquinha mesmo, pele bem clara, olho azul e cabelo que lembra um tom de ruivo, então são semelhanças, traços completamente diferentes dos pais”, informou o advogado.

Os dois resolveram fazer um exame de DNA, que aconteceu em 22 de julho, quando o recém-nascido estava com 13 dias de vida. O resultado saiu na última sexta-feira (26), comprovando que o bebê não é o filho biológico do casal.

Investigação

O casal, então, resolveu procurar à polícia. No dia do parto, 9 de julho, 16 crianças nasceram na maternidade. A suspeita da troca se espalhou rapidamente na cidade e o outro casal que teve filho na mesma data e que estava no mesmo quarto também procurou a delegacia.

O Hutrin reconheceu a troca e informou que passou a manter contato com as famílias. Amostras genéticas dos pais e dos bebês foram colhidas no hospital na última segunda-feira (29) e o resultado de um novo exame de DNA está previsto para esta quarta-feira.

Desde segunda-feira, as duas famílias decidiram ficar na mesma casa até que o resultado do exame saia.

“A gente entrou num acordo. A melhor forma para as mães não sofrerem tanto, para elas já pegarem convívio com o neném, uma mãe com a outra”, contou Murillo.

Pais estiveram no hospital de Trindade para coletar amostras genéticas para o exame de DNA — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Pais estiveram no hospital de Trindade para coletar amostras genéticas para o exame de DNA — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Com o resultado do exame e com o depoimento das três funcionárias, a delegada Renata Vieira, responsável pela investigação do caso, disse que vai avaliar se há necessidade de ouvir outros funcionários da equipe, que tinha 15 profissionais atuando no dia do plantão que os meninos nasceram.

Renata contou ainda que até o momento trabalha com a investigação baseada no Art. 229 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê penalidade para quem não identificar corretamente o bebê e a mãe após o parto.

“Trabalhamos com a hipótese de ter sido culposa a troca [quando não há intenção]. Após a conclusão da investigação, vamos enviar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) sobre o caso à Justiça”, disse Renata, explicando que o TCO é um “registro de um fato tipificado como infração de menor potencial ofensivo”, disse a delegada.

A polícia também esperava analisar imagens de câmeras. Porém, na terça, Renata recebeu a informação do Hutrin que as imagens de câmeras da maternidade não estão mais disponíveis, já que ficaram armazenadas por 10 dias e foram automaticamente apagadas.

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