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18 Aug

‘Maus brasileiros ousam fazer campanha com números mentirosos contra a nossa Amazônia’, diz Bolsonaro

Governo decidiu mudar diretor do Inpe, órgão que apontou aumento do desmatamento da Amazônia, após Bolsonaro criticar instituto e questionar estatísticas.

Bolsonaro participa de cerimônia nesta segunda-feira (5) para inauguração da primeira etapa de usina solar flutuante no reservatório de Sobradinho, na Bahia — Foto: Rede Bahia/Reprodução
Bolsonaro participa de cerimônia nesta segunda-feira (5) para inauguração da primeira etapa de usina solar flutuante no reservatório de Sobradinho, na Bahia — Foto: Rede Bahia/Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (5) em Sobradinho, na Bahia, que “maus brasileiros” fazem “campanha com números mentirosos” sobre a Amazônia. A declaração foi dada em cerimônia para inaugurar a primeira etapa de uma usina solar flutuante instalada no reservatório da cidade baiana.

O governo de Jair Bolsonaro vem recebendo críticas de ambientalistas, organismos internacionais e da imprensa estrangeira pelas medidas que têm tomado em relação ao meio ambiente e pelos riscos que pode estar gerando para a preservação da Amazônia.

“A Amazônia é um potencial incalculável. Por isso, alguns maus brasileiros ousam fazer campanha com números mentirosos contra a nossa Amazônia. E nós temos que vencer isso e mostrar para o mundo, primeiro, que o governo mudou e, depois, que nós temos responsabilidade para mantê-la nossa, sem abrir mão de explorá-la de forma sustentável”, declarou.

No último dia 19, após o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgar dados que apontam para o aumento do desmatamento na Amazônia, Bolsonaro questionou as estatísticas e o próprio órgão, que disse estar a serviço de ONGs internacionais.

No dia seguinte, o diretor do instituto, Ricardo Magnus Osório Galvãonegou as acusações de Bolsonaro e reafirmou os dados sobre desmatamento. Na semana passada, Galvão disse que as declarações dele causaram constrangimento e que será exonerado.

Novo diretor do Inpe

Nesta segunda, mais cedo, o ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, disse que cogita escolher um oficial da Aeronáutica para a direção do órgão. O nome deverá ser anunciado no início desta semana.

Em entrevista coletiva após a cerimônia em Sobradinho nesta manhã, Bolsonaro foi questionado sobre o anúncio do novo diretor.

“Olha, o que eu decidi junto aos meus ministros, eles têm liberdade total para fazer a composição do seu respectivo ministério e eu tenho poder de veto, como já exerci no passado. Não é questão de ser militar ou ser civil, é para ter uma pessoa extremamente responsável e competente no cargo.”

Governadores do Nordeste

Durante a entrevista, Bolsonaro também disse que não vai negar dinheiro para os governadores do Nordeste, mas que os eles ‘vão ter que dizer que estão trabalhando junto ao governo Bolsonaro’.

Em julho, em conversa informal com o ministro Onyx Lorenzoni, o presidente se envolveu em polêmica com os governadores do estado ao afirmar que “daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão”.

“Eu não fiz discurso nenhum sobre ‘paraíba’ e Nordeste. Eu cochichei no ouvido do ministro [Onix] Lorenzoni, eu me referi ao governador da Paraíba e do Maranhão… Que eles procuram nosso ministério, conseguem coisas como outro qualquer, chegam nos seus respectivos estados, alardeiam os recursos para seus estados e ‘descem a borduna’ em cima de mim. Então, o que eu quero desses dois governadores, não vou negar nada para o estado, mas se eles quiserem que isso tudo seja atendido, eles vão ter que falar que estão trabalhando com o presidente Jair Bolsonaro, caso contrário eu não vou ter conversa com eles”, declarou nesta segunda.

Apesar da declaração, o presidente disse que “não quer fazer política”, mas que não poderia admitir que os governadores do Maranhão e da Paraíba — Flávio Dino (PCdoB) e João Azevêdo (PSB), respectivamente — fizessem “politicalha em relação à minha pessoa”.

Novo PGR

Durante a entrevista coletiva, Bolsonaro também comentou sobre o anúncio do novo procurador-geral da República, que irá substituir Raquel Dodge. O cargo costuma ser ocupado por um dos nomes indicados pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) em lista tríplice.

“Não vou falar sobre o MP atual. Obviamente que o nome será escolhido entre os quase 80 que estão aí à disposição. Temos excelentes nomes e precisamos bater o martelo por um nome. E pretendo, nos próximos dias, semana que vem no máximo, anunciar esse nome”, disse.

O presidente da República não é obrigado a indicar um dos integrantes da lista eleita pela ANPR. Nos dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e também nos dois de Dilma Rousseff, o escolhido para a PGR foi o primeiro da lista.

Na noite se sexta-feira (2), Bolsonaro recebeu, pela terceira vez, o subprocurador-geral da República Augusto Aras. O encontro não constou da agenda oficial de Bolsonaro, divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência. Aras integra o Ministério Público desde 1987 e se define publicamente como conservador

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