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Trecho da PA-449, que dá acesso a Floresta do Araguaia/PA – Crédito: Reprodução / Setran

O estudo constatou piora nas condições das características observadas na pesquisa. 59% da extensão dos trechos avaliados apresentaram problemas. Em 2018, esse percentual de problema atingiu 57% dos trechos. A pavimentação  também está pior nas estradas do país. 52,4% das rodovias apresentam problemas. Também há problemas sérios de sinalização em 48,1% dos trechos analisados e no aspecto de geometria das vias 76,3% têm problemas. Todos estes itens cresceram o percentual de problemas em 50,9%, 44,7% e 75,7%, respectivamente.

O Pará aparece no ranking das dez piores ligações rodoviárias com dois trechos: De Marabá (sudeste) a Dom Eliseu (nordeste) pela BR-222. O outro trecho é de Belém a Guaraí, no estado do Tocantins (BR-222, PA-150, PA-151, PA-252, PA-287, PA-447, PA-475, PA-483, TO-336).

Também é apontado na pesquisa, que 7,9%  das rodovias paraenses são classificadas pelos especialisras como péssimas; 35,3% são consideradas ruins;  37,1% são regulares; 17,6% são consideradas boas e apenas 2,1% são consideradas ótimas.

Foram pesquisados 108.863 quilômetros de rodovias, onde foi constatado o aumento em 75,6% de pontos críticos, passando de 454 em 2018 para 797 em 2019 em todo o país. No total, as rodovias brasileiras têm 797 trechos com pontos críticos. São considerados pontos críticos: quedas de barreira, pontes caídas, erosões na pista, buracos grandes, situações que podem apresentar graves riscos à segurança dos usuários, além de custos adicionais de operação.

A pesquisa avalia as condições de toda a malha federal pavimentada e dos principais trechos estaduais, também pavimentados. Nesta edição de 2019, foram percorridas todas as cinco regiões do Brasil, durante 30 dias no período de 20 de maio a 18 de junho, por 24 equipes de pesquisadores.

Rodovias com gestão tercerizada também apresentam más condições de trafegabilidade

Além das rodovias públicas, também foram avaliadas as condições das rodovias em que a concessão foi repassada para empresas privadas. O estudo também realiza o levantamento das infraestruturas de apoio, como trechos com postos de abastecimento, borracharias, concessionárias e oficinas mecânicas, restaurantes e lanchonetes disponíveis ao longo das rodovias.

Há piora do estado geral também nas rodovias sob gestão da iniciativa privada. Em 2019, 25,3% da extensão delas tiveram o estado geral classificado como regular, ruim ou péssimo; e 74,7% da malha concedida foi avaliada como ótima ou boa.

Em 2018 esses índices foram 18,1%, uma queda de qualidade quase 7% em 2019 e  avaliação 81,9% para positiva. Por fim, existem também concessionárias com problemas financeiros, majoritariamente aquelas da terceira etapa do programa de concessões federais, que não cumpriram suas obrigações de investimentos e, assim, apresentam resultado pior do que o desejado. Contudo, a avaliação das rodovias concedidas é bem superior àquelas sob gestão pública.

Segundo a pesquisa CNT, as condições das rodovias impactam diretamente nos custos do transporte. Neste ano, estima-se que, na média nacional, as inadequações do pavimento resultaram em uma elevação do custo operacional do transporte em torno de 28,5%, sendo que o maior índice foi registrado na região Norte (+ de 38,5%).

O presidente da CNT, Vander Costa, destaca a importância do investimento para que seja possível manter e expandir a malha rodoviária brasileira, garantindo a qualidade do tráfego de veículos. “É urgente a necessidade de ampliar os recursos para as rodovias brasileiras e melhorar a aplicação do orçamento disponível”, afirma. Ele ressalta, que “a priorização do setor nas políticas públicas e a maior eficiência na gestão são imprescindíveis para reduzir os problemas nas rodovias e aumentar a segurança no transporte”.

Governo investe menos que o necessário na malha rodoviária do país

Outro ponto importante da pesquisa, mostra que o governo federal investe pouco mais da metade dos recursos autorizados. Em 2018, foram investidos R$ 7,48 bilhões pelo governo federal em rodovias, dos quais R$ 2,75 bilhões (36,8%) foram de restos a pagar.

Até setembro de 2019, o governo executou R$ 4,78 bilhões dos R$ 6,20 bilhões autorizados. O valor investido tende a ser inferior se for mantida a mesma política, aponta a pesquisa, com consequências indesejadas para a qualidade das rodovias.

Para reconstrução e restauração das rodovias é preciso investimentos de R$ 38,60 bilhões, segundo a CNTpara reconstrução e restauração das rodovias brasileiras.

Com a qualidade das rodovias ruim, o custo operacional do transporte aumenta 28,5%, em média, no Brasil, aponta a pesquisa CNT. Este custo é impactado pelas condições das rodovias. Pavimentos deficientes reduzem a segurança viária e aumentam o custo de manutenção dos veículos, além do consumo de combustível, lubrificantes, pneus e freios.  Em rodovias com pavimento em péssimo estado de conservação, esse acréscimo chega a ser de 91,5%.

Todas as dez melhores ligações rodoviárias do país passam pelo estado de São Paulo e são constituídas de rodovias que foram concedidas as gestões para empresa privada. Ligação rodoviária é uma extensão formada por uma ou mais rodovias (federais ou estaduais) pavimentadas, com grande importância socioeconômica e volume significativo de veículos de cargas e/ou de passageiros, que interligam territórios de uma ou mais Unidades da Federação.

A pesquisa da CNT faz o ranking de 109 ligações. A pior avaliada é a ligação Natividade (TO) – Barreiras (BA), que inclui as rodovias BA-460, BR-242, TO- 040 e TO-280. Essa ligação também foi a mais problemática em 2018.

Com a situação ruim de suas rodovias, a estimativa é que o Brasil desperdiçará mais de 900 bilhões de litros de diesel em 2019.

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