Bolsonaro recria Ministério das Comunicações e coloca deputado Fábio Faria como ministro


Filiado ao PSD, que compõe o Centrão, Fábio Faria está no quarto mandato como deputado federal. Bolsonaro prometeu na campanha ter ‘no máximo’ 15 ministérios; agora serão 23. Bolsonaro anuncia Fábio Faria para novo Ministério das Comunicações
O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira (10) em uma rede social a recriação do Ministério das Comunicações. O ministro, conforme o presidente, será o deputado Fábio Faria (PSD-RN).
Segundo Bolsonaro, a pasta da CIência, Tecnologia, Inovações e Comunicações será desmembrada em duas. O ministro da Ciência e Tecnologia é Marcos Pontes.
“Nesta data, via MP, fica recriado o Ministério das Comunicações a partir do desmembramento do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Para a pasta foi nomeado como titular o Deputado Fabio Faria/RN”, publicou Bolsonaro na internet.
Segundo a Secretaria-Geral da Presidência, a recriação do ministério não representará aumento de despesa, uma vez que, segundo a pasta utilizará “apenas cargos de estruturas já existentes”.
Ainda de acordo com a secretaria-geral, a Secretaria Especial de Comunicação Social, atualmente vinculada à Secretaria de Governo, foi extinta e as competências da secretaria, incorporadas ao novo ministério.
O Ministério das Comunicações existiu até maio de 2016. Na ocasião, o então presidente, Michel Temer, que assumiu o cargo com o afastamento de Dilma Rousseff, unificou o Ministério das Comunicações e o Ministério da Ciência e Tecnologia.
Temer nomeou à época Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e presidente do PSD, partido de Fábio Faria.
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Número de ministérios
Na campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro disse que, se eleito, o governo teria “no máximo” 15 ministérios.
Quando tomou posse, em 1º de janeiro de 2019, o presidente deu posse a 22 ministros. Com a recriação da pasta das Comunicações, serão 23 ministérios.
Na semana passada, Bolsonaro também afirmou que “existe a possibilidade” de recriar o Ministério da Segurança Pública, extinto no início do governo.
Mais cedo, nesta quarta-feira, o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, afirmou que, para ele, não é o momento de a pasta ser recriada.
Deputado Fábio Faria (PSD-RN)
Canindé Soares
Centrão
Fábio Faria está no quarto mandato de deputado federal é filiado ao PSD, partido que integra o Centrão.
A escolha de Bolsonaro pelo deputado ocorre em meio à aproximação do presidente com o grupo em troca de apoio político.
Nas últimas semanas, o Centrão também emplacou integrantes em outros cargos no governo. A diretoria do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por exemplo, que conta com R$ 50 bilhões, ficou com o PL.
O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, cujo orçamento é de R$ 1 bilhão, ficou com uma indicação do Progressistas.
Bolsonaro sempre criticou o que chama de “velha política” e sempre afirmou que formaria um “ministério técnico”, isto é, segundo ele, live de indicações políticas.
Conforme o site do parlamentar, ele é formado em administração de empresas, pela Universidade Potiguar (UnP).
Investigações
Fabio Faria e o pai, Robinson Faria, foram delatados por Ricardo Saud, da JBS. Segundo o delator, os dois teriam recebido R$ 10 milhões para que privatizassem a Companhia de Água e Esgoto do Rio Grande do Norte e favorecessem a empresa na disputa.
Um inquérito chegou a ser aberto no Surepmo Tribunal Federal (STF), mas a Procuradoria Geral da República (PGR) entendeu que não houve contrapartida e que não havia provas suficientes contra Fabio Faria. Diante disso, a PGR pediu o arquivamento do caso. O processo relativo a Robinson Faria foi encaminhado para o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE/RN).
A PGR, posteriormente, pediu o desarquivamento do caso e a volta da investigação. Mas Faria alegou que as provas foram consideradas ilegais. A PGR aceitou o argumento e desistiu do desarquivamento, devolvendo o caso à Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte.
Fábio Faria também foi delatado por ex-executivos da Odebrecht por suposto recebimento de caixa 2, mas o inquérito foi arquivado porque a PGR entendeu não haver provas suficientes.

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