Depois de operação da PF contra apoiadores de Bolsonaro, Aras vira alvo de críticas do Planalto

Depois da operação da Polícia Federal contra apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, o procurador-geral da República, Augusto Aras, virou alvo de críticas dentro do Palácio do Planalto. Incomodou muito ao presidente e sua equipe o pedido de quebra de sigilo bancário contra onze parlamentares da base de Bolsonaro.
Em avaliação feita na terça (16) no Palácio do Planalto, depois da segunda operação da PF contra suspeitos de financiarem e organizarem atos antidemocráticos no país, a equipe de Bolsonaro reclamou da decisão do procurador-geral da República, Augusto de Aras, de pedir a abertura do inquérito.
O próprio presidente, segundo interlocutores, fez críticas a Augusto Aras, dentro da avaliação de que a abertura do inquérito teve como objetivo “calar” seus apoiadores nas ruas, porque, na opinião de Bolsonaro, apenas uma “minoria” defende pautas como fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF).
Moraes manda quebrar sigilo bancário de dez deputados e um senador bolsonaristas
Até então, o Palácio do Planalto estava mirando suas críticas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator do inquérito que investiga a disseminação de “fake news”, numa organização profissional, contra o STF e seus integrantes. Neste inquérito, quem está comandando as investigações é o ministro do Supremo.
Só que, nas duas operações realizadas nesta semana e que tiveram como alvo apoiadores de Bolsonaro, os pedidos partiram da equipe do procurador Augusto Aras. É a PGR que pediu a abertura do inquérito e que comanda, junto com a PF, as investigações.
No caso deste inquérito, Alexandre de Moraes também é seu relator e foi quem autorizou os pedidos de busca e apreensão contra 21 pessoas ligadas ao bolsonarismo e as solicitações de quebra de sigilo bancário de dez deputados e um senador da base do governo Bolsonaro.
Os pedidos foram feitos pela PGR, o que acabou transformando Augusto Aras também em alvo de críticas do Palácio do Planalto. O procurador-geral foi escolhido para o posto pelo presidente da República fora da lista tríplice elaborada pelo Ministério Público e costuma ter sua independência em relação ao governo questionada por adversários.
Nas operações desta semana, porém, ele tomou medidas que incomodaram o governo Bolsonaro e que foram criticadas publicamente pelo próprio presidente da República, sem citar o nome do procurador.

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