Extremista presa pela PF diz em depoimento que não tem apoio de governo ou partidos

Sara Giromini e outras cinco pessoas tiveram a prisão decretada como parte de uma investigação pedida pela Procuradoria Geral em inquérito sobre organização de atos antidemocráticos. Polícia Federal prende extremista apoiadora do presidente Bolsonaro Sara Geromini
Em depoimento à Polícia Federal, a extremista Sara Fernanda Giromini, buscou se descolar da autoria de atos antidemocráticos e negou que a atuação do grupo 300 do Brasil seja financiada pelo governo. Segundo ela, o grupo apoia o presidente Jair Bolsonaro, mas não recebe suporte de partido político nem de governos.
Sara Giromini, que adotou o pseudônimo Sara Winter, foi presa nesta segunda-feira (15) em Brasília, pela Polícia Federal. Além dela, outras cinco pessoas tiveram a prisão decretada. Os seis foram identificados como coordenadores do acampamento autointitulado 300 do Brasil, instalado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e depois desfeito por determinação do governo do Distrito Federal.
A prisão foi efetuada como parte de um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Procuradoria-Geral da República no fim de abril. O objetivo da investigação é apurar os indícios de que o grupo organiza e capta recursos para atos antidemocráticos, enquadrados na Lei de Segurança Nacional.
Autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a prisão é temporária – vale por cinco dias e pode ser prorrogada por mais cinco.
Giromini silenciou quando perguntada, durante o depoimento, sobre o vídeo que gravou em 27 de maio com ameaças a Alexandre de Moraes. O vídeo foi feito horas depois de a extremista ter sido alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal, que realizou operação no âmbito do chamado inquérito das fake news, cujo relator é o ministro Moraes.
No texto do depoimento de Sara Giromini, não fica claro se a PF tentou esclarecer como o grupo custeia suas atividades. Ela afirmou aos policiais que não teve participação, na noite de sábado, no lançamento de fogos em direção ao prédio do Supremo Tribunal Federal. Segundo ela, o ato teria sido organizado por um grupo desconhecido.
Sara Giromini declarou que o 300 é voltado para ações de desobediência civil e ações não violentas, embora vários vídeos postados em redes sociais pelo grupo defendam ações violentas, façam ameaças e exibam armas.
De acordo com a transcrição do depoimento feita pela PF, Sara Giromini disse “que [os integrantes do] grupo dos 300 apoiam o presidente Bolsonaro, mas não recebem nenhum tipo de apoio financeiro ou e outra espécie do governo” e que “nem o grupo 300 nem a declarante recebe qualquer tipo de apoio de partido político ou de governos federais, estaduais, e municipais”. Segundo Sara Giromini afirmou à PF, “não há nenhum assessor parlamentar ou cabo eleitoral em seu grupo”.
Ela buscou diferenciar a atuação de grupos que apoiam o governo. Segundo Sara Giromini, o 300 não tem ligação com o Patriotas, supostamente chefiado por Renan Sena, preso pela Polícia Civil do Distrito Federal no domingo, após o disparo de fogos contra o prédio do Supremo.
“Que o grupo Patriotas é mais ligado a essa pauta de intervenção militar, aplicação do artigo 142 [da Constituição, que trata da competência das Forças Armadas e é usado por bolsonaristas para defender intervenção militar de forma inconstitucional]. Que o grupo dos 300 do Brasil é mais voltado à desobediência civil e a ações não violentas”.
No fim de maio, Sara Giromini esteve em uma manifestação em Brasília. Na noite do dia 30, ela esteve junto com um grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, com tochas e máscaras brancas, em um ato em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). O grupo gritou palavras de ordem contra o relator do inquérito das fake news, o ministro Alexandre de Moraes.
Em redes sociais, internautas lembraram que tochas e máscaras são elementos marcantes em atos do grupo supremacista branco Ku Klux Klan, também conhecido como KKK, nos Estados Unidos.
Também lembraram do uso de tochas em manifestações dos nazistas, na Alemanha da década de 1930.

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