Faltou uma condenação do presidente Bolsonaro aos atos contra STF, avaliam ministros do tribunal

Ao final do domingo (14), depois de notas de apoio ao Supremo Tribunal Federal (STF), divulgadas inclusive por ministros do governo, integrantes da Corte avaliavam, em conversas reservadas, que faltou um posicionamento do presidente Jair Bolsonaro.
O prédio do STF foi alvo de ataque de militantes bolsonaristas na noite de sábado (13). Ele dispararam fogos de artifício em direção ao tribunal. Em vídeo, em tom de ameaça, perguntaram se os ministros haviam entendido o recado.
Em conversas com o blog, ministros do Supremo disseram que, pela gravidade do ato, a expectativa era que Bolsonaro se posicionasse contra o que aconteceu e condenasse a atitude de seus aliados.
Segundo um membro do tribunal, isso ainda pode ser feito nesta segunda-feira (15), e seria o melhor caminho, na sua avaliação, para quem tem dito que está querendo acabar com o clima de tensão com o Judiciário. Outro ministro lembrou que o presidente costuma dizer que não tem como controlar seus apoiadores nas ruas, mas destacou que ele pode “condenar” o que eles fazem.
“Quando não vem uma condenação do próprio presidente, a mensagem que fica para seus apoiadores é que eles podem continuar fazendo esse tipo de protesto, que é crime”, comentou um integrante do STF.
No domingo, pelo menos quatro ministros do governo Bolsonaro entraram em contato com integrantes do Supremo para prestar solidariedade e condenar os atos. Dois deles divulgaram mensagens nas redes sociais criticando ataques a instituições: Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência) e André Mendonça (Justiça).
Manifestante é preso depois de soltar fogos de artifício contra o STF
‘Divisor de águas’
No STF, a avaliação é que os atos de sábado serão usados como um “divisor de águas”, e, por isso, o presidente do tribunal, Dias Toffoli, determinou a abertura de investigações para punir os organizadores e financiadores dos protestos. Já há, inclusive, um pedido de investigações contra um dos ativistas que teriam participado dos ataques com fogos de artifício, Renan Sena.
Toffoli pediu investigações à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal, à Polícia do Distrito Federal e inclusive ao relator do inquérito das fake news, ministro Alexandre de Moraes. Para o presidente do Supremo, o que aconteceu no sábado não pode se repetir e as pessoas envolvidas nos atos precisam ser punidas, porque cometeram um crime.

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