Milhares de noruegueses se mobilizam contra o racismo

Milhares de pessoas se reuniram hoje em várias cidades da Noruega em solidariedade ao afro-americano George Floyd, mortos a 25 de maio sob custódia da polícia norte-americana, e para denunciar as discriminações raciais em todo o mundo. “O racismo é também uma pandemia” e “as vidas dos negros contam” foram palavras de ordem nos protestos que decorreram no país, apesar das regras sanitárias impostas devido à covid-19, que limitam a liberdade de manifestação e de reunião.

Em Oslo, os manifestantes, a quase totalidade deles com máscara ou com lenços no rosto, reuniram-se em frente ao Parlamento e da embaixada dos Estados Unidos, edifícios que estavam protegidos por barreiras.

Os manifestantes cumpriram também oito minutos e 46 segundos de silêncio, o tempo que um agente da polícia asfixiou Floyd até ele morrer.

Os protestos, que decorreram sem incidentes, foram tolerados pela polícia, que optou por “fechar os olhos” ao desrespeito pelas regras sanitárias.

Para lutar contra a pandemia do novo coronavírus, a Noruega limitou a 50 o total de participantes em manifestações, que têm de estar separados no mínimo por um metro.

“A polícia e a sociedade no seu conjunto dão uma grande importância à liberdade de expressão. A polícia não vai reagir”, explicou um responsável policial, Svein Arild Jorundland, à cadeia de televisão norueguesa NRK.

O Governo norueguês manifestou publicamente “inquietação” face à situação nos Estados Unidos, face às manifestações e à violência registrada após a morte de Floyd.

George Floyd, de 46 anos, morreu a 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um policial branco ter pressionado seu pescoço com o joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de a vítima dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Pelo menos 10 mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, e as autoridades impuseram recolher obrigatório em várias cidades, incluindo Washington e Nova York, enquanto o Presidente  Donald Trump já ameaçou mobilizar os militares para pôr fim aos distúrbios nas ruas.

Os quatro polícias envolvidos foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.

O julgamento começa segunda-feira.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares  numa loja.

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