Trump adia comício previsto para data que marca o fim da escravatura

O adiamento do comício “por respeito pela data” e tudo o que ela representa foi anunciado na última sexta-feira pelo Presidente norte-americano no Twitter, sem detalhes adicionais, depois de o anúncio ter caído mal na cidade que foi palco de alguns dos piores distúrbios raciais da história do país.

“Não é um piscar de olho aos supremacistas brancos, é uma grande festa para eles”, criticou a senadora Kamala Harris, instantes depois do anúncio do comício, na mesma rede social.

Os críticos de Trump consideram a escolha de Tulsa e daquela data como uma provocação, depois da morte do afroamericano George Floyd, sob custódia policial, e das imensas manifestações contra o racismo e a violência policial que o acontecimento desencadeou.

Os responsáveis de campanha de Donald Trump decidiram reatar os comícios eleitorais ao considerar que as grandes manifestações antirracismo provam que as pessoas não têm medo de grandes ajuntamentos e agendaram encontros para os Estados de Oklahoma, Florida, Arizona e Carolina do Norte, apesar de a pandemia de covid-19 estar longe de controlada.

Ainda assim, todos os participantes nos comícios devem assinar um documento a renunciar a todos os processos no caso de contraírem o vírus durante esses encontros, que são uma das formas de mobilização da sua base eleitoral favoritas de Donald Trump.

George Floyd, um afroamericano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Os quatro polícias envolvidos foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja. 

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